terça-feira, agosto 26, 2008

Postar? ou não postar? Eis a questão.

Amigos,

Sei que estou em débito com vocês com relação à atualização deste post, prometo fazer o máximo para atualizar sempre que possível.
Confesso que estive pensando em não escrever mais, sabe como é quando nós “blogueiros” escrevemos, queremos ver comentários; então ainda não entendo o porquê de as visitas terem aumentado (obrigado!) e não estar vendo quase nenhum comentário. Mas durante essa semana recebi inúmeros sussurros do Espírito Santo, contudo não dei ouvidos, apenas dei agora (há pouco) quando escutando a BYU RADIO INTERNATIONAL (online) durante a leitura do livro de Morôni (em espanhol) escutei o seguinte:
1 ORA, eu, Morôni, após haver terminado o resumo do relato do povo de Jarede, pensei em não mais escrever; entretanto ainda não pereci; e não me dou a conhecer aos lamanitas, para que não me matem.
2 Porque eis que as guerras entre eles são extraordinariamente violentas; e por causa de seu ódio, matam todos os nefitas que não negam a Cristo.
3 E eu, Morôni, não negarei a Cristo; portanto ando errante por onde posso, a fim de conservar minha própria vida.
4 Escrevo, pois, algumas coisas mais, ao contrário do que pensava, pois supus que já não escreveria; escrevo, porém, mais algumas coisas que talvez sejam úteis para meus irmãos, os lamanitas
, em algum dia futuro, segundo a vontade do Senhor.

(O Livro de Mórmon Morôni 1:1 - 4) (Escureci os pontos que me tocaram)

Então depois que ouvi isso, me dei conta da quantidade de tentativas que o Espírito Santo de me mostrar que eu deveria atualizar o Blog e eu percebendo-as não as dei atenção. Às vezes (por conta disso) me vejo em um estado de fanatismo que sempre condenei – sinto-me traído por minhas próprias palavras (passadas palavras passadas).
Lendo o documento que baixei na internet que falava um pouco a respeito do sacerdócio e algumas das recomendações aos sacerdotes, vi que fazer um diário é algo imperativo a todos os Santos dos Últimos Dias, inclusive todo manual do sacerdócio cita a importância de se fazer registro dos acontecimentos em nossas vidas e pensando mais longe do que seria nossa vida hoje se ninguém escrevesse sobre eles, não haveria mídia de espécie alguma, nem a própria igreja existira, pois se os profetas não tivessem escrito nada do que se passava não teríamos a Bíblia e indo mais longe poderíamos ver que O livro de Mórmon foi uma prova máxima da importância de se ter um diário, na época de Leí, Jerusalém era uma cidade desenvolvida e a escrita era difundida entre o povo e praticada com alguma ou pouca dificuldade, tinham pergaminhos, blocos de argilas, vasos, etc. Mas o que tinham os que acompanhavam Leí à América? Não muito, não é mesmo? Mas olha que com o pouco que tinham eles o fizeram e nos deixaram a benção de se ter um livro tão inspirador como é o Livro de Mórmon.
Sendo assim quem sou eu, para achar difícil manter um diário sendo servido de tantos meios de fazê-lo. Chamo todos a seguirem esse simples ato, de se fazer um diário, e comprometo-me em dar o máximo para ser um exemplo que é possível, correto e necessário mantermos um relato dos acontecimentos pessoais no dia-a-dia.
Como ultimamente tem se acontecido muitas coisas ruins (assaltos, problemas de saúde, familiar, etc.) irei começar a transcrever os acontecimentos a partir da próxima semana, pois se o Pai Celestial permitir será o fim de um mês ruim e o início de um outro bom, afinal será o mês do meu aniversário e sei que o Pai Celestial vai me dar de presente um emprego e um ótimo resto de ano...

Abraços,
Andy.

quinta-feira, agosto 14, 2008

Convite ao esclarecimento – Parte I

[Este post foi criado a partir das dúvidas de uma amiga no Messenger]

Oi Daiana!

Fui fazer uma pesquisa dentro das perguntas que você me fez. Primeiro vou colocar o significado que peguei no dicionário para ilustrar um pouco mais cientificamente minhas palavras.

  Mas antes vou falar um pouco sobre história para que você entenda o que vem a determinar ou não uma seita.

 Marinho Lutero era um monge alemão que descontente com o catolicismo não aceitar o uso do idioma vernáculo nas celebrações, documentos e nas traduções das escrituras resolveu lançar noventa e duas teses (se não me falha a memória) contra o Papa e contra as doutrinas católicas da época. Lutero resolveu ir de encontro com a ordem da Cúria Romana e resolveu traduzir a Bíblia para o Alemão a fim de tornar os ensinamentos acessíveis a todos. E usando dos conhecimentos que tinha do grego e do latim (aprendidos como matéria obrigatória durante a sua vida monástica e sua graduação em teologia) e em um trabalho exaustivo concluiu a tradução da bíblia. O perfil dos fiéis católicos da época era de pessoas de todas as camadas sociais e os que tinham posses podiam pagar pelo ensino (conseqüentemente aprendiam o latim – idioma do culto católico) e geralmente auxiliava nas celebrações como acólitos ou coroinhas como popularmente são conhecidos esses mais abastados ajudavam as pessoas a entenderem o culto ensinando as respostas a serem dadas e os momentos que deveriam baixar as cabeças, ficarem sentados, de joelhos, em pé bem como todo o ritual do início ao fim da celebração. Os pobres e iletrados apenas acompanhavam a celebração como alguém que não sabe o que esta sendo dito, mas compreendiam o significado (lembre-se que os acólitos ensinavam a eles) dos ritos, e apenas em uma parte da celebração era em seu idioma – a Homilia (explicação do evangelho). Lutero queria que o povo entendesse tudo e fossem mais ativos, por isso acreditava que a tradução das escrituras seria o início dessa mudança no comportamento dos fiéis (é por isso que os protestantes não são tão submissos como os católicos). As pessoas que acompanharam Lutero eram pessoas mais instruídas na sociedade, geralmente bem sucedidos comerciantes que não aceitavam pagar tanto à Igreja Católica. Então protestando contra a igreja católica deu início a reforma protestante

  Ah! Importante saber que o termo Evangélico é puro eufemismo europeu que para não serem apontados nos lugares como aqueles seguidores da SEITA de Lutero.

  O que é ser Evangélico? 

Evangélico
e.van.gé.li.co
adj (Evangelho+ico2) 1 Do Evangelho ou a ele relativo. 2 Conforme aos princípios do Evangelho. 3 Pertencente ou relativo ao protestantismo: Igreja evangélica. 4 Caritativo, carinhoso, meigo. 

Então sabendo disso podem os católicos ser evangélicos? 
Claro que sim, sempre foram!


  Agora sabendo sobre a origem dos protestantes fica mais fácil entender o que vem a diferenciar uma religião de uma seita. 

Veja o que diz o dicionário Michaelis:

Religião
re.li.gião
sf (lat religione) 1 Serviço ou culto a Deus, ou a uma divindade qualquer, expresso por meio de ritos, preces e observância do que se considera mandamento divino. 2 Sentimento consciente de dependência ou submissão que liga a criatura humana ao Criador. 3 Culto externo ou interno prestado à divindade. 4 Crença ou doutrina religiosa; sistema dogmático e moral. 5 Veneração às coisas sagradas; crença, devoção, fé, piedade. 6 Prática dos preceitos divinos ou revelados. 7 Temor de Deus. 8 Tudo que é considerado obrigação moral ou dever sagrado e indeclinável. 9 Ordem ou congregação religiosa. 10 Ordem de cavalaria. 11 Caráter sagrado ou virtude especial que se atribui a alguém ou a alguma coisa e pelo qual se lhe presta reverência. 12 Conjunto de ritos e cerimônias, sacrificais ou não, ordenados para a manifestação do culto à divindade; cerimonial litúrgico. 13 Filos Reconhecimento prático de nossa dependência de Deus. 14 Filos Instituição social com crenças e ritos. 15 Filos Respeito a uma regra. 16 Sociol Instituição social criada em torno da idéia de um ou vários seres sobrenaturais e de sua relação com os homens. 17 Mística ou ascese. R. do caboclo, Reg (Rio de Janeiro): prática feiticista negra a que se misturam entidades da mística ameríndia. R. do Estado: a professada oficialmente por um Estado sem que, com isso, seja proibida ou impedida a prática das outras. R. natural: a que se baseia somente nas inspirações do coração e da razão, sem dogmas revelados; a religião dos povos primitivos. R. naturalista: veneração ou adoração religiosa da natureza nos animais, nos astros etc.; panteísmo. R. reformada: o mesmo que igreja reformada. R. revelada: a que, como o cristianismo, se baseia numa revelação divina conservada pelas Escrituras Sagradas e pela tradição. Ciência das religiões: estudo das religiões como fenômeno humano universal; pode-se considerar seu aspecto histórico (história das religiões), psíquico (psicologia da religião) e social (sociologia da religião). Filosofia da religião: tratado das questões relativas à sua essência e verdade.

Seita
sei.ta
f (lat secta) 1 ant Qualquer escola filosófica, cujas doutrinas ou métodos divergiam dos seguidos geralmente. 2 Ramo dissidente de uma igreja estabelecida, e portanto considerado herético. 3 Rel Grupo dentro de uma comunhão religiosa principal, cujos aderentes seguem certos ensinamentos ou práticas especiais. 4 Grupo de pessoas que seguem determinados princípios ou doutrinas, diversas dos geralmente aceitos no respectivo meio. 5 Teoria de algum professor célebre, seguida por muitos prosélitos. 6 pop Bando, facção, partido.


  Tomei a liberdade de escurecer alguns pontos que elucidarão o meu texto.

 Como você acabou de ler, religião e seita é a mesma coisa, ambas seguem alguma doutrina. O que as torna diferentes é a forma que ela foi iniciada, por exemplo, todas as igrejas protestantes são seitas (SURPREENDENTE!) por que ela é uma dissidência do catolicismo, por mais diferente que seja os seus ritos eles tem a sua origem no cristianismo católico, pois foi essa a igreja base e dela o próprio fundador dessa nova seita veio.

 Agora onde entra a Igreja de Jesus Cristo Santos dos Últimos dias nessa historia toda? Isso é bem fácil de te responder, em nada! Nós S.U.D.s (santos dos últimos dias ou comumente conhecidos como mórmons) não somos protestantes, porque não fazemos parte e nem somos dissidentes de nenhuma igreja, por tanto não somos pertencentes a nenhuma SEITA, mas somos sim uma religião. E nossos ritos não são provenientes de nenhuma outra igreja. (Ainda mais surpreendente, não? – Apesar de eu achar que Joseph Smith deve ter incorporado muita coisa das igrejas que conheceu durante o período de sua busca pela religião verdadeira).

  Por que então as pessoas dizem que somos pertencentes a uma seita? Simplesmente porque alguns poucos cristãos protestantes (esses que não conhecem a sua própria história e sequer entendem o termo que os distingue, apenas não o aceita e ainda se posicionam como vitima frente a um ataque imaginário – Chamar alguém de protestante é ofensivo?) fazem uma interpretação própria das escrituras e procuram colocar-se acima de qualquer coisa que os comprometa. 

  Uma vez me perguntaram por que a I.J.S.U.D. não se manifesta para acabar de vez com essa injustiça e impor-se como uma religião? Eu respondi, mas nós nos impomos como uma religião, porque nós sabemos que nossa igreja é verdadeira e não haveria porque nem para que nos preocuparmos em mudar uma imagem que só os protestantes criaram para manter-se longe da verdade e evitar com que seus seguidores a conheçam. Nós preocupamo-nos em edificar nossos espíritos e aumentar nossa fé em Jesus Cristo e não nos vemos como injustiçados ou vitimas por ter se criado tantos mitos a nosso respeito, tudo que esta acima de outrem recebe críticas de seus opositores. Oramos por eles, para que enxerguem seus erros e arrependam-se porque irão conhecer a verdade e lamentar por suas palavras. 

  A outra pergunta que você me fez foi relacionado ao sacerdócio de negros. Bem ninguém sabe o porquê de os negros não poderem receber as bênçãos do sacerdócio, o que particularmente eu acredito é que os negros sempre foram vistos como figuras secundarias dentro do protestantismo, geralmente descentes de Caim e isso é falso. O fato deve ser puramente cultural, nos remete a pensar sobre a época de Joseph Smith e como os negros eram (diga-se de passagem, que ainda são) tratados pela sociedade norte-americana, nada que tivesse um negro à frente era visto com bons olhos ou tido como correto, lembre-se que o racismo que os brasileiros têm pelos negros, nunca foi nem um décimo dos que os americanos tinham – houve uma época que os negros eram proibidos de sentar ao lado de um branco em um ônibus, de ter que ocupar os últimos assentos e de ceder o lugar para um branco sempre. Graças ao nosso Pai Celestial as pessoas mudaram e continuam mudando os seus conceitos em relação aos negros e os vendo da maneira correta como iguais e merecedores de todas as coisas carnais e espirituais como qualquer um, pois todos nós fomos feitos à imagem e semelhança do nosso Pai Celestial. E hoje temos muitos líderes negros dentro da igreja e a I.J.S.U.D. condena qualquer forma de preconceito. 

  Bem até agora eu estou sendo guiado pela curiosidade e motivação de poder esclarecer alguns pontos que conheço e espero estar falando tudo certinho hehehe como você sabe, eu tenho apenas uma semana como membro da igreja. Portanto demais leitores, moderem seus comentários kkk 

  Sintam-se a vontade para comentar e me ajudar a aprender e a difundir os ensinamentos S.U.D’s.

Até a próxima postagem. 

Andy.

Fontes de pesquisa:

Michaelis - Moderno Dicionário da Língua Portuguesa

Wikipédia - A enciclopédia livre

terça-feira, agosto 12, 2008

Testemunho de um mórmon recém-converso.

Queridos irmãos, hoje eu estou aqui para compartilhar de uma experiência muito gratificante e única em minha vida – Minha conversão.

Chamo-me André Luís Freitas, tenho 20 anos. Sou extrovertido, curioso e questionador, sempre busquei a verdade e no campo religioso fui um católico fiel e praticante, inclusive com aspirações ao sacerdócio, porém tenho tido muitos questionamentos e estes fizeram me afastar de minha igreja e procurar por alguma religião que eu me sentisse acolhido e seguindo algo verdadeiro, conheci inúmeras religiões cristãs e não-cristãs, estudei profundamente a doutrina e pregação de muitas delas, uma coisa eu tinha certeza dentro de minha busca – O que eu não queria!
 Sempre me achei diferente de todo mundo, porque sempre fui aberto a novas experiências e sempre procurei entender as pessoas colocando minhas convicções de fora de qualquer conversa, sempre me achei neutro em tudo que se diz respeito a aprender. Pude assim aprender muitas coisas boas e ruins, meu maior problema era procurar me aprofundar e viver aquilo que estava “experimentando”, agora você deve estar se perguntando – Que problema há nisso? Mas eu te respondo: há muitos. Se eu ia a uma igreja protestante eu era um protestante queria conhecer a doutrina os ensinamentos e a forma de vida/cultura dos membros daquele local, se ia ao Candomblé/Umbanda consultava os Orixás e Exus, dava oferendas e participava de rituais, se estava na Wicca/Ocultismo/Bruxaria estudava com afinco leituras profundas e ensinamentos além do que podia para um não-iniciado, bem e assim com todos os lugares que freqüentei.
Mas ainda não cheguei ao ponto em que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias entra em minha vida.
 Acontece que eu sou apaixonado pelo estudo de idiomas e logo quando fiquei desempregado vi que meus estudos não poderiam continuar por não ter condições financeiras de para completar meus cursos. Minha maior aflição era com o meu inglês, que quando estava à beira de perder o meu emprego (que com folga me mantinha em uma situação confortável) acabei deixando que minhas preocupações interferirem em meu aprendizado, prejudicando meus estudos tanto no curso superior que estava cursando (e que também tive que abandonar) como também dos meus cursos extracurriculares como o Inglês (que perdi o semestre e que também tive que trancar). Assim que sai do emprego em que estava tive que voltar para casa dos meus pais por motivos óbvios, na oportunidade pude perceber que pelas ruas do meu bairro andavam alguns missionários mórmons, que pude distinguir por ser uma das religiões que ainda não tinha freqüentando, apenas estudado a respeito (por meio de reportagens, vídeos, blogs, comentários, etc.), vi nisso uma oportunidade de melhorar meu inglês, já que pela falta de prática estava perdendo o vocabulário e tendo dificuldade de me expressar (leia-se que não sou fluente ainda, meu nível é intermediário), então como um dos missionários era norte-americano eu poderia aprender as doutrinas da religião e o idioma (além de aprender a pronúncia norte-americana, já que minha pronúncia é britânica – ou penso que seja...) enfim, seria uma relação apenas de ganhos onde o beneficiado seria eu, o que me deixou ainda mais animado.
Preparei uma estratégia que considerei infalível, como eu adoro ler e estava com alguns livros em inglês para ler, resolvi utilizar da calçada da vizinha da frente (que era mais calma e ventilada do que minha barulhenta casa) assim estaria estudando e seria abordado facilmente por esses tais missionários, Assim pensei: Eu um jovem, branco, bonito, sozinho na rua, sentado numa calçada, lendo, seria uma “vitima” em potencial – Não havia como não ser abordado. Então fui por o plano em prática, assim o fiz por um determinado tempo e não obtive resultado. Foi desconcertante, isso porque me considero um ótimo estrategista e não admito erros, principalmente os meus. Voltei à prancheta para ver o que tinha de errado comigo ou com o meu plano, isso claro com uma raiva enorme. Afinal, eram cegos os “infelizes”! (eu falava). Resolvi andar no caminho contrário que eles pela rua, simulando um encontro e sorria para eles, a fim de ganhar a atenção deles e quando me virem só novamente naquela calçada Voilà estaremos conversando, e em inglês! Sorrir não é nenhuma dificuldade para mim, mesmo assim não estava dando certo. Resolvi pensar mais e cheguei à conclusão que eles procuram mais jovens – isso colocando meu raciocínio lógico usando meu Eu cientifico para traçar gráficos e reconhecer dados que via e que pesquisava, a respeito do perfil da “vitima” mórmon. Cheguei à conclusão que minha aparência de menino não iria chamar a atenção deles, resolvi então deixar a barba crescer e com isso deixar os anos revelar a minha real idade, já que sem ela pareço um adolescente na puberdade (tenho o corpo de um menino, simplesmente por não gostar de academia e ter dificuldade de engordar). Meu plano continuava dando errado e resolvi deixá-lo de lado por algum tempo, até que por hora esqueci, resolvi preocupar-me com um problema maior, estava desempregado, entrando em depressão e com a auto-estima baixa afinal tinha perdido meu emprego por um motivo tolo, o qual não convém tratar aqui, estava fora do padrão de vida que me acostumei e estava longe dos meus “amigos” (de farra). O fato era que resolvi achar uma desculpa para mim mesmo, dizendo para mim e para todos que eu estava cansando de tanto trabalhar, afinal já eram cinco anos de trabalho e estudo, sem nenhum tendo de descanso nem férias. Mais todos que me conhecem sabem que isso não passava de desculpa porque sou aficionado por trabalho e adoro estar em provações o tempo todo, mas eis que essa provação eu não estava conseguindo suportar (a de estar desempregado, entrando em depressão e fora do padrão de vida que levava e pior sozinho, sem poder contar com ninguém). 
Certo dia eu estava na net por volta de meia-noite, não lembro bem o que estava fazendo, mas recebi um convite de adição de um contato ao Messenger (programa de comunicação instantânea pela internet), aceitei e fui perguntando quem era e as perguntas básicas que se faz a um desconhecido que te adiciona àquela hora da noite. Ele disse que tinha me adicionado porque viu o meu perfil em um site de relacionamentos, que tínhamos um amigo em comum e que gostou da forma que eu tinha escrito o texto postado no meu blog. Fui super gentil com esse leitor e fã, eu sou orgulhoso e adoro ser elogiado, e creio que todo mundo é quem diz que não está usando de falsa modéstia, sou realista prático e sou muito franco (entenda como qualidade ou defeito – apenas sou assim.). Então esse novo amigo ficou conversando comigo por horas a fio, e no desenrolar da conversa não sei como, mas chegamos ao assunto religião, esse meu amigo brincando me pediu para adivinhar a sua religião, respondi lhe que não fazia a menor idéia e pedi uma dica, ele soltou a frase “só vou na sua casa pra comer” na hora eu tomei um susto porque esse é um mito bem conhecido dos membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias, e como eu sempre fui neutro mas sempre combati esses falsos mitos, respondi que os mórmons não freqüenta casa de ninguém para comer (pelo menos não devem) mas sim em uma hora que você puder melhor recebê-los e inclusive essa hora quem diz é você. Ai ele se assustou e perguntou se eu era da mesma religião que ele, respondi que não e tomamos outro rumo de assunto. Conversamos durante vários dias quando eu perguntei sobre como adquirir um livro de mórmon em inglês a fim de estudar a religião e estudar o inglês (além de ler o livro no idioma original – nesse caso o traduzido, porque ninguém pôde ler os originais em egípcio reformado além de Joseph Smith, e esse gostinho de ler o livro em seu original é indescritível) e ele disse que poderia conseguir um para mim, disse que iria fazer o pedido e me convidou para ir conhecer a igreja e ele no domingo, e fui. 
Chegando lá me surpreendi com o ritual que hoje estou mais bem habituado, mesmo sendo minha segunda visita (penso que já sou membro há muito tempo)... Cheguei às 9h05 (quem me conhece sabe que atraso só em último caso, eu aprecio a pontualidade) meu amigo esta na porta principal e me viu andando rápido (tem certa distância entre o ponto de parada de ônibus para a igreja) e foi me conduzindo logo para uma sala onde tinha somente homens de camisa branca e gravata com prendedor todos com cabelos curtos e de idades variadas, após uma série de comunicados que eu não estava prestando bem a atenção, pois eu estava analisando a estrutura do local os assentos, o uso da madeira pra ampliar a acústica e decorar o ambiente, bem como todos os detalhes que não deixo de perceber. Alguns minutos após tivemos que sair para outra sala, ficando somente os mais velhos na sala que deixamos meu amigo sorridente e feliz por eu ter aceitado o convite que ele fez e que não esperava que eu estivesse lá, tratou de me apresentar a todos que conhecia e saiu-me “traduzindo” tudo, para que eu entendesse melhor cada passo e cada coisa que estava acontecendo ali (sou grato por essa e pelas outras vezes em que pude contar com ele para me esclarecer diversos pontos que tive dúvidas), fomos para uma nova sala, uma espécie de sala de aula com uma “professora” muito simpática a qual me senti muito tranqüilo com sua presença, depois voltamos à primeira sala que estivemos e por fim terminou a minha primeira visita.
 Meu amigo assim que terminou a sacramental (fui corrigido por meu amigo quando disse culto – risos) me apresentou a dois missionários Élder Correia (de Minas Gerais – BR) e Élder Higginsson (de Utah – Eua) que pegaram o meu endereço e agendaram uma visita para a quinta-feira as 10h30 (não esquecerei esse dia por conta das caras que vi na minha casa ao me verem com os dois mórmons conversando – porque eu era o típico cara de pensamento cientifico, tinha minha crença intelectual, respeitava as religiões mas nunca me envolvi com nenhuma – depois de ter saído de Igreja Católica, por isso os olhares atentos sobre o que estávamos falando.). No domingo recebi do meu amigo um livro de mórmon em português e a promessa que meu livro estava para chegar, os correios estavam em greve, e como iria demorar ele disse com um risinho que poderia começar a ler em português, aceitei de bom grado e me coloquei a ler o livro assim que cheguei em casa (livro é igual chocolate, eu devoro rapidinho). Quando os missionários chegaram à minha casa na quinta pediu pra eu pegar o livro e perguntou se eu havia lido alguma coisa e se surpreenderam quando eu disse que estava terminando o livro 2 Néfi (e olha que eu nem me dediquei tanto ao livro como já dedicara a outros), eles passaram a mensagem e me pediram para fazer a última oração, só que não me senti preparado para fazê-la porque não tinha costume de fazer orações livres, eu sempre fui educado como cristão católico e tinha uma maneira de fazer minhas orações que eram diferentes da forma que vi eles fazendo. Bem, marcamos um novo encontro para o sábado, mas antes me pediram para que eu perguntasse a Deus se as coisas que eles tinham dito era verdade ou não, se a igreja era verdadeira e o Livro de Mórmon era um livro verdadeiro, assim prometi e fiz. Meu amigo fez questão de estar presente nesse primeiro encontro.
Chegou o sábado e eles se atrasaram, mas eu já estava ciente porque os vi comentado sobre a distância que eles teriam de percorrer para sair da casa em que iriam pregar antes da minha, então pedi para minha mãe preparar um pequeno lanche a fim de eles comerem algo até chegar a sua casa e fazerem sua refeição correta. Eles não quiseram, para desgosto da minha mãe que fez tudo muito rápido, deixando os seus afazeres para atender um pedido meu.
 Nesse encontro o Élder Correia me convidou para o batismo no dia 02 de agosto (estávamos no dia 19 de julho) e não ficou muito satisfeito com a resposta que dei – que estava muito cedo para uma tomada de decisão como essa. Afinal de contas eu quero conhecer o máximo possível da igreja que pretendo fazer parte, para que não me torne um inativo (palavra que eles usam para designar um membro afastado da igreja). Mas a essa altura meu coração já me falava que o que eles queriam ouvir, que Deus havia me respondido positivamente sobre a veracidade de tudo que eles me falavam. Novamente eles me perguntaram se eu tinha feito progressos nas leituras do livro de mórmon e mais uma vez se surpreenderam ao saber que estava em Mosias, me perguntaram se eu tinha alguma dúvida sobre tudo o que já tinha lido até ali, respondi que não. Despedimos-nos e ficamos de nos ver novamente no outro dia na igreja, eles me convidaram para ir num ônibus que estaria levando as pessoas do meu bairro para a igreja às 08h30, só que comentaram que sempre eles se atrasavam por que iam atrás dos membros... Como eu sou muito observador vi que ia chegar atrasado e decidi não tomar o ônibus de ida, em parte foi porque estava com vergonha de me encontrar com as pessoas do meu bairro, não é que eu não goste delas, mas é que sou orgulhoso demais e nem tudo que falo as pessoas entendem, então como quando eu não consigo entender os discursos eloqüentes de alguns de meus amigos mais instruídos, fico se jeito de conversar com alguém menos instruído que eu e acabar por falar em vão. Cheguei à igreja e não encontrei o meu amigo e já tinham iniciado, fiquei perdido, novamente estava com o pensamento longe e quando pediram para sair algumas pessoas eu saí também, aproveitei para beber água, quando o Bispo (assim chamado o sacerdote mórmon) perguntou a minha idade e disse que eu podia ficar na sala, achei estranho porque na vez anterior quando saímos fomos para uma outra sala, assim que entrei novamente a pessoa que estava no púlpito pediu para um outro grupo sair foi quando reconheci um deles, que vi no outro domingo, e disse para ele que era visitante, não tinha encontrado o meu amigo e que estava meio perdido, com um os sorriso ele me levou pra outra sala e ficou lá ao meu lado me emprestando livro para acompanhar a leitura, a sala estava cheia de gente nova e eu me sentia um E.T. (risos) até que meu amigo chegou (atrasado), na outra sala onde se aprende os fundamentos da doutrina a palestrante que falei me perguntou novamente meu nome e disse que não iria mais esquecer por ser o nome de um dos apóstolos, bem durante a mensagem que ela estava passando sobre sacrifício ela me questionou “como se estar preparado para os sacrifícios?” respondi que “ninguém esta pronto para sacrificar nada, podemos aceitar mais não estar prontos, como por exemplo Abraão não estava pronto pra sacrificar seu filho” nessa hora ela me interrompeu vermelha com uma questão “será que não?” (ai ela sabia que nem eu nem ela chegaríamos a uma conclusão) visivelmente chateada com a minha resposta.
Marquei um novo encontro com os missionários na segunda e novamente eles me questionaram sobre o batismo, jogando até um joguinho sentimental de que estavam para ser transferidos e gostariam de ver o meu batismo... Mais uma vez minha mãe preparou um lanchinho que foi recusado mais uma vez por eles... Quando eles tocaram no assunto batismo eu expliquei que é difícil para mim, pois estava em um conflito coração e razão, meu coração dizia que a igreja é verdadeira e que eu tenho que aprender sobre ela e me batizar nela, mas a razão me dizia que eu deveria ter paciência e entender melhor a doutrina que estou adotando para não me surpreender depois. Ai, o Elder Correia puxou a minha orelha dizendo que se Deus havia dito que era verdadeira eu deveria me batizar e aceitar Jesus e eu iria me aprofundar nas coisas da igreja à medida que elas forem se apresentando para mim, foi quando o caladinho do Élder Higginsson falou que ele nasceu na igreja e nunca aprendeu tanta coisa sobre a igreja como as que ele aprendeu e esta aprendendo na missão (isso super vermelho) isso para mim foi um banho de água fria para que eu acordasse.
Hoje fui para uma reunião de família na casa de uma família simples, mas muito acolhedora. Senti-me triste por não poder contar com mesma união que vi em minha casa. Pude perceber o quanto agora eu estou preparado para receber o batismo e que nada acontece por acaso e não adianta forçar situações, como a minha de ser abordado por um missionário já que as minhas intenções erram mesquinhas e egoístas, pude sentir o poder de Deus em mostrar que eu sou fraco nas coisas que penso ser forte e que não adianta tramar planos porque Ele analisa o seu coração e se você não estiver preparado para algo, mesmo se você estiver aspirando aquilo Deus não vai te dar, até você estar puro de coração e suas intenções forem justas e sinceras e na hora que você estiver pronto Ele irá colocar um anjo para te guiar pelo caminho da verdade, o caminho certo. A vida é uma escola e o aprendizado é constante, Deus nos mostra seu poder nas mínimas coisas, e faz o significado delas se tornar grandes ao seu coração. Eu que sempre fui cético hoje posso contar que tive meu coração quebrantando por Deus para mostrar que dos meus erros podem sair acertos e que querer nem sempre é poder, quando não se está reto em pensamento e ações, e que a mais singela coisa que nos não damos importância pode ganhar pluralidade quando confrontadas com nossas convicções. Hoje tenho a certeza que tive muitas coisas, menos a felicidade, pelo medo de amar por completo e por não dar ouvidos ao meu coração, fugi muito de Deus não por descrença, mas por saber que uma hora ou outra ele iria fazer me perceber as coisas que hoje percebo.
E assim deixo o meu testemunho em nome de Jesus Cristo, Amém.

André Freitas Andy [o.O]
 Maceió – Alagoas – Brasil